Culpa!

30 de junho de 2017

 

 

Pense durante alguns segundos no conceito de mãe, não na sua, nem na melhor ou pior mãe que você possa conhecer. Apenas reconsidere o que significa e o que associamos com “ser mãe”. Imagino que surjam na sua cabeça ideias como “amor incondicional, abnegação, dedicação, ternura, abrigo, renúncia, satisfação, plenitude, realização pessoal, vida, entrega, estar sempre aí, lealdade, submissão…” E uma quantidade infinita de palavras relacionadas com renunciar a tudo por alguém.

Esse é o conceito com o qual fomos educadas. A mãe é essa pessoa incondicional que nunca vai falhar. Essa pessoa capaz de renunciar a tudo para que os filhos estejam bem, a que espera com paciência, a que sempre tem uma palavra de apoio para animar ou a que empresta seu ombro para você chorar quando for preciso. Esta visão de mãe é de quando as mulheres eram educadas para não terem outra ambição, a não ser serem boas esposas, mulheres, educadoras e transmissoras de valores, quando só se dedicavam a cuidar da família e organizar o lar, costurar, cozinhar, limpar ou mandar em quem limpava a casa.

Mas os tempos mudaram. Não basta ter filhos limpos, estudiosos e educados. Sucesso hoje em dia para a mulher implica em ser boa mãe, uma profissional brilhante, ter um grupo de amigas, ser independente emocionalmente e economicamente, ter tempo para ler, fazer exercícios, ter hobbies e ainda vestir manequim 40 pelo resto da vida.

Muitos modelos, exigências e expectativas altíssimas, que no final levam a repetir o modelo de “mulheres orquestras” que têm a sensação de estar em tudo sem chegar a nada. E quando você acredita que não está cumprindo com perfeição a prioridade entre todas as suas atividades, que costuma ser a atenção a seus filhos, acaba se sentindo culpada. Há mães que acreditam ser “péssimas mães” por não cumprir com suas expectativas ou as expectativas impostas pela sociedade.

Não busque a perfeição. O que deve ser valorizado, e ao que você deve dedicar sua atenção, é à qualidade das relações e ao vínculo com seus filhos. Tampouco deve se sentir culpada por dedicar algum tempo para você. Seus filhos serão mais felizes se você estiver feliz.

Proteja seus filhos com conselhos, com argumentos, guiando, educando com valores, delimitando o bem do mal. Mas deixe que eles tomem decisões, caiam e se levantem. Não proteja demais. Não será uma mãe melhor se tirar o perigo da frente deles. Os problemas sempre vão existir, esteja você com eles ou não. Não se sinta responsável por seus fracassos. Eles precisam errar, tomar suas próprias decisões e lidar com as frustrações.

Não tente compensar o tempo que não pode passar com eles comprando coisas. Não há nada para compensar. Trabalhar e ter hobbies faz parte da plenitude da vida, você é mãe, mas também é uma pessoa. O mais importante é, quando estiver dedicando tempo a seus filhos, esteja realmente presente, não de olho no celular enquanto está brincando, comendo ou vendo um filme com eles.

Desfrute plenamente o que estiver vivendo com eles. Se no tempo que passa com seus filhos, está pensando nos e-mails pendentes que precisa responder, e quando está trabalhando pensa que não é uma boa mãe por não poder dedicar mais tempo às crianças, nunca estará realmente em nenhum dos dois lugares. Além disso, as crianças não valorizam tanto os presentes quanto os pais imaginam. O que valorizam realmente, é que você dedique toda sua atenção quando estiver com eles.

Faça com que respeitem seu tempo. Não é uma péssima mãe por ter um tempo para você. Se educarmos nossos filhos estando sempre disponíveis no exato momento em que nos solicitam, suas necessidades se transformarão em exigências. Ensine-os a ter paciência, a saber esperar.

Lembre-se de se valorizar não apenas pela relação que mantém com seus filhos. Você tem valor por muitas outras coisas. Nem tudo o que acontece com seus filhos é responsabilidade sua. Não se sinta mal se a criança leva uma bronca da professora, se tem um conflito com um amigo ou se não é muito bom praticando algum esporte.

Ensine-os a pedir perdão, a resolver problemas, a refletir, mas não se responsabilize por tudo que seu filho faz e diz. Os pais educam, mas os filhos também copiam modelos de conduta do que veem na televisão, do que leem, do que veem em seus amigos…

Nossos filhos estão continuamente expostos a outras fontes de informação. É sua responsabilidade saber quem são seus amigos, quais programas vê na TV e na Internet. Mas você não poderá controlar tudo. Se conseguir estabelecer uma relação de comunicação, confiança e cumplicidade, tenha certeza de que estará sendo a melhor mãe que seus filhos poderiam ter.

 

Grande beijo!

Débora Bertoldi

 

 

2 comentários

2 respostas para “Culpa!”

  1. Paula Boni disse:

    Amiga, amei seu texto, me vi em cada palavra, em cada frase. Obrigada por trazer a tona questões que estão tão internalizadas.

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